POLÍCIA FEDERAL INVESTIGA FAMÍLIA SUSPEITA DE TRÁFICO E LAVAGEM

Operação apura esquema de tráfico internacional de cocaína e movimentações financeiras milionárias atribuídas a grupo familiar de Uberlândia


Foto: reprodução publicada pela PF

A Polícia Federal deflagrou uma operação de grande porte para investigar uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico internacional de cocaína e na lavagem de dinheiro em diferentes estados brasileiros. No centro das investigações estão um empresário e suas duas filhas, uma advogada e uma psicóloga, apontados pelos investigadores como integrantes do núcleo principal de um suposto esquema que movimentou milhões de reais ao longo dos últimos anos.

Batizada de Operação Mens Occulta, a ação mobilizou centenas de agentes e resultou no cumprimento de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo. Segundo a Polícia Federal, o grupo teria construído um patrimônio de alto padrão incompatível com a renda formalmente declarada, levantando suspeitas sobre a origem dos recursos utilizados na aquisição de diversos bens de luxo.

Investigação aponta rota internacional de cocaína

De acordo com as apurações, a organização criminosa investigada teria utilizado uma complexa estrutura logística para transportar cocaína oriunda do Paraguai até o território brasileiro. Conforme informado pela Polícia Federal, a droga ingressaria no país por meio do Mato Grosso do Sul e seria escondida em caminhões de carga para evitar a fiscalização durante o transporte.

Após a entrada no Brasil, os entorpecentes seriam levados para a região de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, onde ocorreria a redistribuição para diferentes cidades e estados. A estratégia teria permitido a movimentação de grandes quantidades de droga sem despertar suspeitas imediatas das autoridades.

Segundo a investigação, ao longo de aproximadamente dois anos, o grupo foi relacionado a diversas apreensões realizadas pelas forças de segurança. Os levantamentos indicam ligação com cerca de 2,9 toneladas de cocaína apreendidas em 11 operações distintas.

As autoridades destacam que as investigações continuam em andamento e que os fatos ainda serão submetidos à análise do Poder Judiciário, respeitando-se integralmente o princípio constitucional da presunção de inocência dos investigados.

Patrimônio de luxo chamou a atenção dos investigadores

Um dos aspectos que mais despertou a atenção dos órgãos de investigação foi o patrimônio acumulado pelos suspeitos. Conforme relatórios produzidos durante a apuração, diversos bens de alto valor teriam sido adquiridos ao longo dos últimos anos.

Entre os bens identificados estão imóveis urbanos, ranchos localizados às margens da Represa de Miranda, embarcações, motos aquáticas, veículos importados, cavalos de raça e um motorhome de luxo avaliado em aproximadamente R$ 1,2 milhão.

A Polícia Federal também apura a utilização frequente desse veículo em viagens interestaduais, especialmente para eventos esportivos relacionados à modalidade de três tambores, atividade da qual uma das investigadas participava.

Além disso, os investigadores identificaram movimentações patrimoniais consideradas incompatíveis com as atividades profissionais formalmente declaradas pelos membros da família. Segundo a corporação, a análise financeira revelou sinais que justificaram o aprofundamento das investigações sobre possível ocultação de patrimônio e lavagem de capitais.

Especialistas observam que operações dessa natureza costumam exigir extensos levantamentos financeiros, cruzamento de informações bancárias e análise detalhada de documentos fiscais para verificar a origem dos recursos empregados na aquisição de bens.

Operação mobiliza centenas de policiais e amplia investigações

A Operação Mens Occulta foi autorizada pela Justiça Federal e contou com a participação de aproximadamente 230 policiais federais. Ao todo, foram expedidos 25 mandados de prisão preventiva e 49 mandados de busca e apreensão.

As diligências ocorreram simultaneamente em diversas cidades dos estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo, demonstrando a amplitude da investigação e a necessidade de atuação coordenada entre diferentes unidades da Polícia Federal.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades, pai e uma das filhas foram localizados em um hotel durante o cumprimento das ordens judiciais. Outra investigada era considerada procurada pelas autoridades no momento da divulgação inicial da operação.

Os investigados poderão responder, em tese, pelos crimes de tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro, cujas penas previstas na legislação brasileira podem resultar em longos períodos de reclusão em caso de eventual condenação definitiva.

O nome da operação, “Mens Occulta”, expressão em latim que pode ser traduzida como “mente oculta”, faz referência à suposta estratégia atribuída pelos investigadores ao líder da organização, que teria buscado permanecer distante da exposição direta das atividades investigadas.

A operação reforça o esforço permanente das instituições de segurança pública e do sistema de Justiça no combate ao tráfico internacional de drogas e aos mecanismos de ocultação de patrimônio. Ao mesmo tempo, o caso evidencia a importância das investigações financeiras modernas, cada vez mais utilizadas para identificar estruturas complexas de criminalidade organizada e proteger a integridade das instituições democráticas e do Estado de Direito.

As informações são do G1

Redação – Dossiê Nacional

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