A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu manter Neymar entre os convocados para a Copa do Mundo de 2026, apesar da lesão muscular diagnosticada recentemente. Após reuniões realizadas nos últimos dias na Granja Comary, dirigentes e integrantes da comissão técnica optaram por não promover o corte imediato do atacante do Santos, acreditando na possibilidade de recuperação a tempo de disputar a primeira fase da competição.
A decisão representa uma aposta na importância técnica e na liderança do camisa 10 para a Seleção Brasileira. A expectativa é que o jogador apresente evolução física nas próximas semanas e possa ser aproveitado durante o torneio, ainda que sua participação na estreia seja considerada incerta neste momento.
CBF estabelece prazo para acompanhar recuperação
O planejamento da comissão técnica prevê um período de aproximadamente 15 dias para monitorar a evolução clínica de Neymar. O prazo coincide com a data limite estabelecida pela Fifa para substituição de jogadores lesionados antes da estreia da equipe no Mundial.
Segundo informações divulgadas pela própria entidade, o acompanhamento será realizado diariamente. A comissão médica avaliará aspectos físicos, capacidade de treinamento e resposta ao tratamento antes de qualquer decisão definitiva.
O chefe do departamento médico da CBF, Rodrigo Lasmar, afirmou que o tempo estimado de recuperação varia entre duas e três semanas a partir desta quinta-feira. Com isso, a presença do atleta na partida de estreia diante do Marrocos ainda é considerada improvável.
Nos bastidores, porém, existe otimismo moderado de que o jogador possa estar apto para os compromissos seguintes da fase de grupos. O confronto diante do Haiti, marcado para o dia 19 de junho, nos Estados Unidos, aparece como cenário mais viável para um eventual retorno aos gramados.
A permanência do atleta na lista demonstra o peso que Neymar ainda possui dentro do planejamento esportivo da Seleção, especialmente em uma competição de curta duração, onde a experiência pode fazer diferença em momentos decisivos.
Divergência de informações gera desconforto
A situação envolvendo a lesão também provocou desconforto entre a CBF e o Santos. Neymar sofreu um estiramento grau 2 na panturrilha direita durante a derrota do clube paulista para o Coritiba por 3 a 0, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro.
No dia seguinte ao problema físico, a convocação da Seleção foi realizada com base em informações encaminhadas pelo clube. Conforme os documentos recebidos pela entidade, o atacante apresentava apenas um edema muscular e teria condições de iniciar normalmente o período de preparação para a Copa.
Entretanto, ao se apresentar à Seleção Brasileira, Neymar foi submetido a novos exames de imagem, que apontaram uma situação clínica mais delicada do que a inicialmente informada.
A divergência causou insatisfação em diferentes setores da CBF, que consideraram a comunicação inadequada diante da relevância da competição. Nos bastidores, o episódio gerou questionamentos sobre os procedimentos adotados durante o acompanhamento médico do atleta.
Em nota oficial divulgada após o pronunciamento de Rodrigo Lasmar, o Santos contestou qualquer irregularidade. O clube reiterou que “todos os exames foram compartilhados com a CBF”, defendendo a transparência na condução do caso.
Apesar da divergência, a prioridade das duas instituições passou a ser a recuperação completa do jogador antes de qualquer retorno aos treinamentos de alta intensidade.
Regulamento permite alterações até a estreia
A decisão da CBF também encontra respaldo no regulamento da Copa do Mundo de 2026. A lista definitiva de atletas foi entregue no dia 1º de junho, mas a Fifa permite substituições em casos de lesão ou doença grave até 24 horas antes da estreia da seleção envolvida.
Para que a troca seja autorizada, a comissão técnica deve apresentar justificativas médicas formais à entidade máxima do futebol mundial. Além disso, o substituto precisa estar incluído na lista preliminar enviada anteriormente.
As regras também deixam claro que a substituição não é obrigatória. Cabe à comissão técnica avaliar se vale a pena manter um atleta em recuperação ou realizar a troca por outro jogador plenamente disponível.
Um exemplo semelhante ocorreu na Copa do Mundo de 2022, quando o técnico Didier Deschamps optou por não substituir Karim Benzema na seleção francesa mesmo após a lesão do atacante.
Enquanto acompanha a evolução de Neymar, a Seleção Brasileira segue sua preparação para o Mundial. Sem o camisa 10, o Brasil enfrenta o Panamá em amistoso no Maracanã antes de embarcar para os Estados Unidos, onde concluirá os ajustes finais para a disputa da competição.








