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ELEIÇÕES 2026: O QUE MUDA AGORA E COMO FUNCIONA O SEGUNDO TURNO

Depois da votação de domingo, o Brasil entra em uma nova etapa da eleição presidencial. Entenda quando será o segundo turno, quem continua na disputa, quais regras voltam a valer e o que o eleitor precisa saber antes de retornar às urnas.


O primeiro turno terminou. A eleição, não.

Depois de milhões de brasileiros comparecerem às urnas no domingo, 4 de outubro, o país entrou nesta semana em uma nova etapa das Eleições 2026.

Agora, a disputa pela Presidência da República ficará concentrada em dois candidatos: Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os dois mais votados no primeiro turno.

Com 99,99% das urnas apuradas no levantamento divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na madrugada de segunda-feira, Flávio Bolsonaro havia recebido 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos. Lula aparecia com 53.876.617 votos, ou 45,16%.

A diferença coloca o Brasil diante de uma nova eleição.

No próximo dia 25 de outubro, os eleitores voltarão às urnas para escolher, entre os dois candidatos, quem ocupará a Presidência da República pelos próximos quatro anos.

Mas o segundo turno não deve ser compreendido simplesmente como uma continuação automática do primeiro.

Politicamente, ele representa uma nova etapa da campanha.

Para o eleitor, significa uma nova oportunidade de comparar propostas, observar comportamentos, acompanhar debates e decidir.

E algumas regras importantes precisam ser conhecidas.

Por que existe segundo turno?

A Constituição e a legislação eleitoral estabelecem que, para ser eleito presidente da República no primeiro turno, um candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos.

Os votos brancos e nulos não entram nesse cálculo.

A mesma lógica é aplicada às eleições para governador nos estados e no Distrito Federal. Quando nenhuma candidatura alcança a maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno, os dois candidatos mais votados disputam uma nova votação.

Foi exatamente o que ocorreu na eleição presidencial de 2026.

Nenhum candidato ultrapassou a barreira dos 50% dos votos válidos.

Por isso, os dois primeiros colocados avançaram para a rodada final.

No segundo turno, vence quem obtiver a maioria dos votos válidos.

Quando será o segundo turno?

O segundo turno das Eleições 2026 está marcado para domingo, 25 de outubro.

A votação começará às 8h e terminará às 17h, pelo horário de Brasília, conforme o calendário eleitoral.

Diferentemente do primeiro turno, quando o eleitor precisou escolher candidatos para diversos cargos, a votação agora será muito mais simples.

Em todo o país haverá a escolha para presidente e vice-presidente da República.

Nos estados e no Distrito Federal onde a eleição para governador não foi definida no primeiro turno, haverá também votação para governador e vice-governador.

Não haverá nova votação para deputados ou senadores.

Esses cargos foram definidos no primeiro turno, de acordo com os respectivos sistemas eleitorais.

A campanha já recomeçou

Encerrada a primeira votação, começa praticamente outra campanha.

O calendário eleitoral permite a retomada das atividades relativas ao segundo turno, e os candidatos passam a concentrar seus esforços na conquista dos eleitores que votaram em outras candidaturas, votaram em branco ou nulo, não compareceram ou ainda admitem mudar sua escolha.

Os comícios e eventos com utilização de aparelhagem de sonorização fixa relativos ao segundo turno puderam ser retomados a partir das 17h de segunda-feira, 5 de outubro.

Já a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão será exibida entre 9 e 23 de outubro.

É um período curto.

Entre o primeiro e o segundo turno são apenas três semanas.

E é justamente por isso que os próximos dias tendem a ser politicamente intensos.

O segundo turno é uma nova eleição

Esse é um ponto importante para o eleitor.

Os votos recebidos pelos candidatos no primeiro turno não são carregados para o segundo.

A contagem começa novamente do zero.

Isso significa que o resultado de 4 de outubro revela a posição do eleitorado naquele momento, mas não determina automaticamente o resultado de 25 de outubro.

Eleitores podem manter sua escolha, mudar de candidato, votar em branco, anular o voto ou deixar de comparecer — embora, nos casos em que o voto seja obrigatório, a ausência precise ser posteriormente justificada ou regularizada.

Por isso, uma eleição aparentemente encaminhada pode mudar ao longo das semanas seguintes.

É também nesse intervalo que alianças políticas são refeitas, apoios são anunciados e os candidatos procuram dialogar com segmentos do eleitorado que não estavam originalmente ao seu lado.

Quem não votou no primeiro turno pode votar no segundo?

Sim.

Cada turno é considerado uma eleição independente para efeitos eleitorais.

Portanto, o cidadão que deixou de votar no primeiro turno não perde automaticamente o direito de participar do segundo, desde que sua inscrição eleitoral esteja regular.

Da mesma forma, a ausência em um turno precisa ser justificada separadamente da ausência no outro.

Segundo o TSE, quem não compareceu no dia 4 de outubro terá até 3 de dezembro de 2026 para apresentar a justificativa referente ao primeiro turno. Para eventual ausência no segundo turno, o prazo será 8 de janeiro de 2027.

Essa informação é particularmente importante porque ainda existe a ideia equivocada de que quem faltou ao primeiro turno não poderia votar no segundo.

Pode.

E, estando com o título regular, deve comparecer normalmente.

Voto branco ou nulo ajuda algum candidato?

Outro mito reaparece em praticamente todas as eleições brasileiras.

Votos brancos e nulos não são transferidos para nenhum candidato.

Eles também não entram no cálculo utilizado para determinar quem venceu a eleição.

Para a definição do resultado, são considerados os votos válidos, ou seja, aqueles atribuídos efetivamente às candidaturas.

Isso significa que votar branco ou nulo é uma escolha possível do eleitor, mas esses votos não são somados ao candidato que estiver na frente.

Também não existe a regra segundo a qual uma determinada quantidade de votos nulos provocaria automaticamente a anulação da eleição.

Governadores também serão escolhidos no segundo turno

A eleição de 25 de outubro não será exclusivamente presidencial.

Onde nenhuma candidatura ao governo estadual conseguiu superar metade dos votos válidos no primeiro turno, os dois mais votados voltam às urnas.

É o caso, por exemplo, do Distrito Federal, onde Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) disputarão o governo.

Também haverá segundo turno em estados como Acre, Amazonas, Rio Grande do Norte e Tocantins, conforme os resultados divulgados pela Justiça Eleitoral.

Nessas localidades, portanto, o eleitor fará duas escolhas na urna: governador e presidente.

O que muda na estratégia dos candidatos?

Muito.

No primeiro turno, cada candidatura procura consolidar sua própria base eleitoral e apresentar sua identidade política.

No segundo, a lógica se modifica.

Há apenas duas alternativas na urna para cada cargo em disputa.

Consequentemente, conquistar os eleitores das candidaturas eliminadas passa a ser uma das tarefas centrais das campanhas.

Começa então uma fase marcada por negociações políticas, declarações de apoio, novas alianças, reposicionamentos e tentativas de ampliar a comunicação para além do eleitorado originalmente conquistado.

Os debates também ganham outra dimensão.

Com apenas dois candidatos, torna-se possível confrontar diretamente propostas, trajetórias, resultados e visões de país.

Para o eleitor, essa pode ser uma oportunidade importante de avaliar não apenas aquilo que os candidatos dizem sobre seus adversários, mas principalmente o que pretendem fazer caso sejam eleitos.

Pesquisas eleitorais exigem atenção

Nas próximas semanas, novas pesquisas de intenção de voto deverão ocupar grande espaço no noticiário.

Elas são instrumentos relevantes para compreender tendências do eleitorado, mas não devem ser confundidas com previsão infalível do resultado.

Toda pesquisa representa um retrato estatístico de determinado momento.

Por isso, antes de compartilhar ou interpretar um levantamento, o cidadão deve observar pelo menos alguns elementos: quem realizou a pesquisa, quem a contratou, quando os dados foram coletados, quantas pessoas foram entrevistadas, qual é a margem de erro e qual o nível de confiança informado.

Também é importante verificar se a pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral.

Em um ambiente de circulação acelerada de informações pelas redes sociais, números isolados, gráficos sem origem e supostas pesquisas sem identificação devem ser tratados com cautela.

A desinformação será um dos grandes desafios

Quanto mais acirrada uma eleição, maior tende a ser a circulação de conteúdos destinados a provocar emoções rápidas.

Vídeos fora de contexto, montagens, declarações antigas apresentadas como atuais, pesquisas inexistentes e conteúdos produzidos ou manipulados por inteligência artificial podem aparecer nas redes sociais.

Por isso, o eleitor precisa adotar uma regra simples:

antes de compartilhar, verificar.

Em uma democracia, informação falsa não prejudica apenas um candidato.

Prejudica a capacidade do próprio cidadão de decidir livremente.

O voto consciente depende do acesso a informações confiáveis.

O eleitor deve aproveitar as próximas semanas

A campanha eleitoral costuma transformar a política em uma disputa diária de declarações, acusações, pesquisas e estratégias.

Mas, para o cidadão, talvez seja mais útil fazer perguntas simples.

O que cada candidato pretende fazer pela economia?

Como pretende enfrentar os problemas da saúde e da educação?

Quais são suas propostas para segurança pública?

Que políticas pretende desenvolver para geração de empregos?

Como enxerga as relações entre Executivo, Congresso Nacional e Poder Judiciário?

Quais compromissos assume com a Constituição, com as instituições democráticas e com as liberdades individuais?

E, principalmente:

as propostas apresentadas são possíveis de serem realizadas?

Uma democracia amadurece quando o eleitor deixa de avaliar apenas discursos e começa também a examinar propostas, trajetórias, equipes e capacidade de governar.

Mais de 158 milhões de brasileiros fazem parte dessa decisão

O eleitorado brasileiro apto a participar das Eleições 2026 soma 158.745.463 pessoas, segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral.

É uma dimensão que ajuda a compreender a importância do processo eleitoral brasileiro.

São milhões de pessoas, espalhadas por um país continental, exercendo individualmente o mesmo direito.

Cada voto vale exatamente um voto.

Do cidadão que vive em uma grande capital ao morador de uma pequena cidade do interior, a urna atribui o mesmo peso à manifestação de cada eleitor.

Essa talvez seja uma das expressões mais concretas da igualdade democrática.

Agora, a responsabilidade volta para o eleitor

O primeiro turno mostrou as preferências do país.

O segundo dará a palavra final.

Até 25 de outubro haverá campanhas, pesquisas, debates, alianças, críticas, promessas e uma enorme quantidade de informações circulando todos os dias.

Mas nenhuma pesquisa substitui a eleição.

Nenhuma manifestação nas redes sociais substitui a urna.

E nenhuma campanha pode substituir a responsabilidade individual do eleitor.

Para o advogado Esdras Dantas de Souza, presidente da Associação Brasileira de Advogados (ABA), o período entre os dois turnos também deve ser compreendido como um exercício de cidadania.

“A democracia não exige que todos pensemos da mesma maneira. Ao contrário: ela existe justamente porque pessoas com opiniões diferentes precisam ter o direito de participar, discordar, escolher e ser respeitadas. O segundo turno deve ser um período de debate firme, mas civilizado, no qual o eleitor possa comparar propostas e decidir livremente o futuro que deseja para o país.”

O Brasil não precisa transformar divergência política em inimizade.

É possível defender candidatos diferentes e continuar pertencendo à mesma comunidade nacional.

É possível discordar sem desrespeitar.

É possível disputar uma eleição sem transformar adversários políticos em inimigos pessoais.

No dia 25 de outubro, milhões de brasileiros voltarão às urnas.

Até lá, cabe aos candidatos apresentar suas propostas.

Cabe à imprensa informar e fiscalizar.

Cabe às instituições assegurar a normalidade e a liberdade do processo eleitoral.

E cabe ao cidadão fazer aquilo que nenhuma outra pessoa pode fazer em seu lugar:

informar-se, refletir e decidir.

Porque, no fim de uma eleição democrática, depois dos discursos, das pesquisas, das campanhas e dos debates, existe um momento em que todo o barulho desaparece.

É quando o eleitor fica diante da urna.

E ali, sozinho com a própria consciência, toma a decisão.

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