Lula e a nova presidente do INSS. — Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República
A redução das filas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) voltou ao centro das prioridades do governo federal. Nesta quinta-feira (11), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a nova presidente da autarquia, Ana Cristina Viana Silveira, assumiu o compromisso de eliminar a fila de espera para concessão de benefícios até setembro deste ano.
Durante evento público, Lula destacou a meta apresentada pela nova dirigente do órgão e demonstrou confiança no cumprimento do objetivo. A diminuição da espera por aposentadorias, pensões e auxílios é considerada uma das principais demandas dos segurados e representa um desafio relevante para a gestão federal.
“Quero dar os parabéns à nova presidenta do INSS, que prometeu, que prometeu para mim que, até o mês de setembro, ela vai zerar a famosa fila do INSS de pessoas esperando o benefício”, disse Lula.
Queda no estoque de pedidos anima governo

De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Previdência Social, o número de requerimentos pendentes chegou ao menor nível dos últimos 17 meses. Atualmente, o estoque é de aproximadamente 2,2 milhões de solicitações em análise.
Em fevereiro, esse volume era de 3,1 milhões de pedidos. Segundo a pasta, a redução de cerca de 29% em apenas três meses é resultado de medidas adotadas para ampliar a capacidade de processamento dos requerimentos.
O governo ressalta, porém, que a meta de “zerar a fila” não significa ausência total de pedidos em análise. Na prática, o objetivo consiste em eliminar os requerimentos que permanecem aguardando decisão por mais de 45 dias.
Outro fator apontado pelo ministério é que parte significativa dos processos depende diretamente dos próprios segurados.
“É importante destacar que nem todos os processos dependem somente da administração pública. Aproximadamente 528 mil casos correspondem a pendências por parte dos segurados, como ausência de documentação ou necessidade de complementação de informações. Ou seja, mais de 20% da fila depende de ações dos segurados”, afirma a pasta.
O INSS recebe, em média, cerca de 1,3 milhão de novos requerimentos todos os meses, o que torna o desafio ainda mais complexo.
Nova presidente assume missão de acelerar atendimento

A condução desse processo ficará sob responsabilidade de Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira do INSS desde 2003. Formada em Direito, ela ocupava a presidência do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) antes de assumir o comando da autarquia.
Segundo informações do governo, durante sua gestão no CRPS houve ampliação da capacidade de análise dos recursos administrativos, o que contribuiu para sua escolha.
A mudança ocorreu após a saída de Gilberto Waller Júnior, que permaneceu cerca de 11 meses à frente do instituto.
Em nota oficial, o Ministério da Previdência Social destacou as atribuições da nova dirigente.
“A partir desta segunda-feira (13), o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passa a ser liderado por Ana Cristina Viana Silveira. Servidora de carreira, ela assume a presidência do órgão com a missão estratégica de acelerar a análise de benefícios e simplificar os processos internos do Instituto. Ana Cristina substitui Gilberto Waller, que esteve à frente da instituição nos últimos 11 meses”, diz o texto.
A pasta acrescentou ainda que a experiência acumulada por Ana Cristina poderá contribuir para reduzir prazos e melhorar o atendimento prestado aos segurados.
Troca de comando ocorre após crise e investigação de fraudes

A substituição na presidência do INSS ocorre em um contexto de reestruturação interna do órgão. Gilberto Waller Júnior assumiu o cargo em abril do ano passado, logo após a revelação de um esquema investigado pela Polícia Federal envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.
As investigações apontam que aposentados e pensionistas teriam sofrido cobranças irregulares entre 2019 e 2024. Conforme os órgãos responsáveis pela apuração, os prejuízos podem alcançar R$ 6,3 bilhões.
Na ocasião, o então presidente do instituto, Alessandro Stefanutto, foi afastado do cargo e posteriormente demitido. Outros integrantes da cúpula administrativa também foram alvo de medidas judiciais e ações policiais.
Enquanto as investigações seguem em andamento, o governo busca concentrar esforços na redução da fila de benefícios, considerada uma das principais reclamações dos usuários do sistema previdenciário. Caso a meta anunciada seja alcançada até setembro, a gestão federal poderá apresentar um dos resultados mais relevantes da área previdenciária nos últimos anos.
As imagens são de circulação pública na internet.








