Em um cenário cada vez mais globalizado, no qual empresários, investidores e famílias buscam oportunidades além das fronteiras nacionais, a atuação de profissionais capazes de unir conhecimento jurídico, visão estratégica e experiência internacional tornou-se um diferencial decisivo. É nesse contexto que se destaca o advogado Renato Coletti de Barros, Diretor da Associação Brasileira de Advogados (ABA) na cidade do Porto, em Portugal, profissional com mais de duas décadas de experiência e atuação consolidada no Brasil, em Portugal e nos demais países da União Europeia.
Advogado inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil e na Ordem dos Advogados Portugueses, Renato Coletti construiu uma carreira voltada à internacionalização de negócios, proteção patrimonial, mobilidade internacional e investimentos estratégicos. Além da advocacia, atua como investidor nos setores imobiliário, hoteleiro e de cavalos de salto de alta performance, acompanhando de perto as transformações do mercado europeu. Nesta entrevista exclusiva ao Dossiê Nacional, ele compartilha sua visão sobre os desafios e oportunidades para empresários brasileiros que desejam expandir suas atividades para a Europa, os rumos do programa dos Vistos Gold, as tendências de investimento em Portugal e os caminhos para quem busca aliar rentabilidade, qualidade de vida e liberdade geográfica.
Entrevista
Dossiê Nacional: Dr. Renato, o senhor atua como advogado no Brasil e em Portugal. Quais são as principais vantagens que essa experiência internacional oferece aos empresários e investidores que desejam expandir seus negócios para a Europa?
Dr. Renato Barros: Atuar simultaneamente no Brasil e em Portugal permite compreender não apenas os sistemas jurídicos de ambos os países, mas principalmente a mentalidade empresarial e os desafios reais enfrentados pelos investidores durante um processo de internacionalização.
É comum que empresários brasileiros cheguem à Europa com excelentes ativos e grande capacidade empresarial, mas sem estrutura jurídica adequada para operar em ambiente europeu. O meu trabalho consiste justamente em transformar essa transição em uma estratégia segura, estruturada e eficiente.
Portugal tornou-se uma porta de entrada extremamente relevante para o mercado europeu, e a experiência internacional permite antecipar riscos regulatórios, fiscais, societários e patrimoniais que muitas vezes não são percebidos no início da operação.
Hoje, o investidor não procura apenas assessoria jurídica tradicional. Ele procura inteligência estratégica, proteção patrimonial, previsibilidade e acesso internacional. O investidor moderno procura mobilidade, previsibilidade e proteção patrimonial. E é justamente na interseção entre Direito internacional, estruturação patrimonial e expansão empresarial global que concentro a minha atuação.
Internacionalização deixou de ser apenas expansão. Tornou-se proteção estratégica.
Dossiê Nacional: O programa dos Vistos Gold continua despertando grande interesse de investidores estrangeiros. Quais são hoje as principais oportunidades e desafios para quem pretende obter residência em Portugal por meio de investimentos?
Dr. Renato Barros: O Visto Gold em Portugal continua sendo um dos programas de residência por investimento mais relevantes da Europa, especialmente para investidores que procuram diversificação patrimonial, mobilidade internacional e acesso ao mercado europeu.
Nos últimos anos, o programa passou por mudanças importantes, sobretudo com a exclusão do investimento imobiliário residencial como modalidade elegível. Isso levou muitos investidores a direcionarem atenção para fundos de investimento regulados e supervisionados em Portugal, que hoje representam uma das principais alternativas estratégicas.
O grande desafio atualmente é separar oportunidades reais de estruturas mal organizadas ou excessivamente comerciais. Hoje, segurança jurídica tornou-se tão importante quanto rentabilidade, a solidez do fundo, a entidade gestora, a estratégia de investimento, governança, liquidez e alinhamento jurídico-regulatório.
Outro ponto essencial é compreender que o Visto Gold não deve ser tratado apenas como um processo migratório. Residência internacional tornou-se um ativo estratégico. Ele deve ser visto como uma decisão patrimonial e internacional de longo prazo, além de um excelente ativo de investimento.
Capital internacional procura segurança jurídica antes de procurar rentabilidade.
Os investidores mais sofisticados já compreenderam isso: não se trata apenas de obter uma residência europeia, mas de construir presença estratégica na Europa.
Dossiê Nacional: Muitos brasileiros enxergam Portugal como uma porta de entrada para o mercado europeu. Quais setores o senhor considera mais promissores para investimentos nos próximos anos?
Dr. Renato Barros: Portugal vive um momento interessante de reposicionamento económico internacional e hoje atrai não apenas investidores, mas patrimónios globais. O país deixou de ser visto apenas como destino turístico e passou a atrair capital qualificado, tecnologia, fundos de investimento e operações internacionais.
Vejo setores especialmente promissores nos próximos anos.
O primeiro deles é a hotelaria premium e o turismo de experiência, sobretudo em regiões estratégicas com forte crescimento internacional e limitação de oferta qualificada.
Também observo grande potencial em fundos de investimento regulados, principalmente aqueles ligados à hotelaria, ativos reais e operações estruturadas com geração de renda. O fundo de investimento de hipismo em cavalos de alto rendimento também é um setor muito rentável e muito relevante economicamente em vários países europeus.
Outro setor relevante é o imobiliário voltado à rentabilidade operacional, e não apenas à valorização patrimonial. O mercado tornou-se mais sofisticado e exige visão empresarial mais estratégica.
Além disso, Portugal continua extremamente competitivo em áreas como tecnologia, energias renováveis, agronegócio premium e economia ligada ao luxo e ao lifestyle europeu.
O investidor que compreender Portugal não apenas como destino, mas como plataforma de acesso à União Europeia, tende a encontrar oportunidades muito relevantes nos próximos anos.
A Europa exige estrutura. Não improvisação.
Dossiê Nacional: Além da advocacia, o senhor atua como investidor nos segmentos imobiliário, hoteleiro e de cavalos de salto. Que lições o empreendedor pode aprender ao diversificar investimentos em áreas tão distintas?
Dr. Renato Barros: A principal lição é que ativos diferentes exigem mentalidades diferentes.
Muitos investidores acreditam que diversificar significa apenas atuar em vários setores. Na realidade, diversificação eficiente exige compreensão profunda de risco, liquidez, gestão operacional e ciclos de mercado.
A hotelaria, por exemplo, exige visão estratégica de operação e experiência do cliente. O mercado imobiliário exige leitura macroeconómica e capacidade de execução. Já o segmento de cavalos de salto de alta performance envolve um universo extremamente técnico, internacional e sofisticado, onde genética, performance, gestão desportiva e reputação têm enorme impacto económico.
Atuar em setores distintos ensina algo muito importante: patrimônio sólido não é construído apenas com rentabilidade, mas com capacidade de proteger capital, gerar previsibilidade e criar ativos sustentáveis no longo prazo.
Os investidores mais consistentes pensam em preservação de capital antes de pensar em expansão.
E talvez a principal lição seja esta: investidores maduros aprendem a pensar de forma global, mas operam com disciplina local.
Dossiê Nacional: O mercado hoteleiro português tem atraído investidores internacionais. Quais são os diferenciais desse segmento e quais cuidados jurídicos e financeiros devem ser observados antes de investir?
Dr. Renato Barros: Portugal possui hoje uma combinação extremamente rara na Europa. Capital internacional procura mercados com previsibilidade institucional e segurança jurídica, estabilidade institucional, crescimento turístico consistente, segurança, qualidade de vida e forte procura internacional.
Isso tornou a hotelaria portuguesa particularmente atrativa para investidores estrangeiros.
Mas é importante compreender que hotelaria não é apenas investimento imobiliário. Trata-se de um negócio operacional complexo, que exige gestão profissional, análise financeira rigorosa e estrutura jurídica adequada.
Antes de investir, é essencial analisar fatores como localização, viabilidade operacional, índices de ocupação, ADR, RevPAR, modelo de gestão, licenciamento, estrutura societária, passivos urbanísticos e eficiência fiscal da operação.
Outro ponto importante é entender se o projeto possui sustentabilidade operacional real ou se depende apenas de expectativa futura de valorização.
O investidor internacional mais sofisticado hoje procura ativos que combinem segurança patrimonial, geração de renda e potencial de valorização consistente — e a hotelaria portuguesa pode oferecer exatamente isso quando estruturada corretamente.
A Europa recompensa ativos bem estruturados e operações profissionais.
Dossiê Nacional: Para encerrar, qual conselho o senhor daria ao empresário brasileiro que busca não apenas rentabilidade, mas também liberdade geográfica, qualidade de vida e acesso ao mercado europeu por meio de uma estratégia de internacionalização?
Dr. Renato Barros: O primeiro conselho é compreender que internacionalização não começa com mudança de país. Começa com mudança de mentalidade.
Expandir internacionalmente exige estrutura, visão estratégica e capacidade de pensar no patrimônio de forma global.
Hoje, muitos empresários procuram Portugal não apenas pela qualidade de vida, mas pela possibilidade de criar uma base europeia segura para os seus negócios, investimentos e família.
Mas essa decisão precisa ser feita com racionalidade, e não apenas por impulso emocional ou tendências de mercado.
O empresário que obtém melhores resultados normalmente é aquele que consegue alinhar três pilares: proteção patrimonial, mobilidade internacional e geração de valor económico.
A Europa oferece grandes oportunidades, mas os investidores mais bem-sucedidos são aqueles que chegam preparados, assessorados e com estratégia de longo prazo.
No cenário atual, liberdade geográfica tornou-se também liberdade estratégica.








