A confiança é uma delas.
Podemos ter conhecimento jurídico, bons argumentos, experiência e reconhecimento profissional. Tudo isso importa.
Mas existe algo que antecede muitas oportunidades: as pessoas precisam confiar em nós.
O cliente precisa confiar que aquilo que nos contou permanecerá protegido.
O colega precisa confiar que cumpriremos o que combinamos.
Quem está do outro lado de uma negociação precisa acreditar que a nossa palavra tem valor.
E as pessoas que caminham conosco precisam saber que não serão abandonadas quando surgirem as dificuldades.
Com o passar dos anos, compreendi que confiança não nasce de grandes discursos.
Ela é construída nas pequenas atitudes.
Na ligação que prometemos fazer e fazemos.
No horário que combinamos e respeitamos.
No compromisso que assumimos e cumprimos.
Na informação que recebemos e não divulgamos.
Na palavra empenhada que continua valendo mesmo quando cumpri-la deixa de ser conveniente.
Talvez por isso a confiança leve tanto tempo para ser construída e possa desaparecer tão rapidamente.
Uma carreira profissional é feita de muitos encontros. Clientes chegam e partem. Processos começam e terminam. Cargos são ocupados e depois entregues. Escritórios mudam. Instituições se renovam.
Mas o nosso nome permanece circulando.
E, quando alguém menciona o nosso nome na nossa ausência, existe uma pergunta silenciosa que vale muito:
“Posso confiar nessa pessoa?”
Se a resposta for positiva, construímos algo que nenhum cartão de visitas consegue produzir.
Construímos reputação.
Ao longo da vida profissional também aprendi outra coisa: confiança não significa concordância permanente.
Podemos divergir.
Podemos defender interesses opostos.
Podemos estar em lados diferentes de um processo.
Podemos dizer não.
Podemos até decepcionar alguém ao explicar que determinado resultado não é possível.
Nada disso necessariamente destrói a confiança.
Às vezes, acontece justamente o contrário.
Dizer uma verdade difícil pode gerar muito mais confiança do que fazer uma promessa agradável que não poderemos cumprir.
Por isso, nunca devemos prometer ao cliente uma decisão que depende de um juiz. Nem garantir um resultado que não está sob nosso controle. Nem assumir um compromisso apenas para agradar naquele momento.
Na advocacia, credibilidade vale muito.
E existe uma forma silenciosa de perdê-la: prometer repetidamente e cumprir apenas quando for conveniente.
Depois de tantos anos exercendo esta profissão, percebo que muitas das melhores oportunidades que surgiram em minha trajetória não nasceram apenas do conhecimento jurídico.
Nasceram de relacionamentos.
E relacionamentos duradouros nasceram de confiança.
Talvez uma das maiores conquistas que um advogado possa alcançar seja chegar a determinado momento da carreira e perceber que existem pessoas dispostas a dizer:
“Se ele deu a palavra, eu confio.”
Nenhum título substitui isso.
Nenhum cargo garante isso.
Nenhuma estratégia de marketing consegue fabricar isso.
A confiança é conquistada pouco a pouco, durante anos, quando ninguém está olhando.
E talvez esteja justamente aí uma das lições mais importantes que a advocacia me ensinou:
antes de construir uma grande carreira, procure construir um nome no qual as pessoas possam confiar.
Porque processos terminam.
Cargos passam.
O sucesso muda de forma.
Mas a confiança que depositam em nosso nome pode atravessar uma vida inteira.
Esdras Dantas de Souza
Advogado e professor de Direito








