O Governo Federal deu início à implantação dos primeiros Escritórios Nacionais Antifacção (ENA), uma nova estrutura voltada ao fortalecimento das ações de combate ao crime organizado no Brasil. As primeiras unidades serão instaladas em São Paulo e Rio de Janeiro, estados considerados estratégicos pela atuação histórica das maiores organizações criminosas do país. A iniciativa faz parte do programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública como uma das principais políticas nacionais de segurança pública para 2026.
O que são os Escritórios Nacionais Antifacção
Os Escritórios Nacionais Antifacção foram concebidos para ampliar a coordenação entre União, estados e municípios no enfrentamento às organizações criminosas.
A proposta busca integrar diferentes instituições responsáveis pela segurança pública, investigação e inteligência, promovendo atuação conjunta em operações e compartilhamento de informações estratégicas.
Segundo o Ministério da Justiça, os escritórios ficarão sob coordenação da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e terão equipes compostas por profissionais cedidos por diversos órgãos federais e estaduais.
Estrutura prevista
O modelo prevê três áreas principais de atuação:
- Coordenação-Geral, responsável pela articulação institucional;
- Coordenação de Operações e Inteligência, dedicada ao compartilhamento de informações e apoio às investigações;
- Coordenação de Articulação Institucional, voltada à integração entre os diversos órgãos envolvidos nas políticas públicas de segurança.
A intenção é criar um ambiente permanente de cooperação entre as forças policiais, órgãos de inteligência, Ministério Público e demais instituições participantes.
Por que São Paulo e Rio de Janeiro foram escolhidos
As duas primeiras unidades serão instaladas nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro por concentrarem parte significativa das atividades das maiores organizações criminosas brasileiras e por exercerem influência nacional em diferentes modalidades de crime organizado.
O governo também informou que pretende expandir o projeto para outras regiões consideradas estratégicas, incluindo Fortaleza, Manaus e Foz do Iguaçu, devido à relevância dessas localidades para rotas de tráfico, fronteiras internacionais e circulação de armas e drogas.
Mudança de estratégia no combate ao crime organizado
Uma das principais características do programa é o foco na desarticulação financeira das organizações criminosas.
Em vez de concentrar esforços exclusivamente em operações ostensivas, a estratégia prioriza o rastreamento de recursos financeiros, o combate à lavagem de dinheiro, a recuperação de ativos e a interrupção das fontes de financiamento das facções.
Entre as medidas previstas estão:
- fortalecimento dos Centros Integrados de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos;
- ampliação da cooperação entre Polícia Federal, Receita Federal, Banco Central, Coaf, Polícia Rodoviária Federal e órgãos estaduais;
- utilização de novas tecnologias para análise financeira e inteligência;
- aperfeiçoamento dos mecanismos de apreensão e alienação de bens ligados ao crime organizado.
Programa prevê investimentos superiores a R$ 11 bilhões
Os escritórios fazem parte do programa Brasil Contra o Crime Organizado, cuja previsão de investimentos chega a aproximadamente R$ 11,1 bilhões.
Segundo o governo, cerca de R$ 1 bilhão corresponde a investimentos diretos da União, enquanto aproximadamente R$ 10 bilhões serão disponibilizados por meio de financiamentos para estados e municípios investirem em equipamentos, tecnologia, infraestrutura e fortalecimento dos sistemas de segurança pública e prisional.
Integração entre diferentes políticas públicas
Além da atuação direta contra organizações criminosas, os Escritórios Antifacção deverão apoiar outras iniciativas já desenvolvidas pelo Ministério da Justiça.
Entre elas estão:
- combate ao tráfico de armas;
- fortalecimento da inteligência penitenciária;
- aumento da capacidade de esclarecimento de homicídios;
- recuperação de ativos financeiros;
- localização e prisão de criminosos de alta periculosidade;
- integração das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficcos).
Impactos esperados
Especialistas em segurança pública costumam apontar que organizações criminosas possuem elevado grau de estrutura financeira e logística.
Nesse contexto, iniciativas voltadas à integração institucional e ao rastreamento de fluxos financeiros podem ampliar a capacidade investigativa do Estado e facilitar operações coordenadas entre diferentes órgãos públicos.
Ao mesmo tempo, a efetividade da nova estrutura dependerá da cooperação entre os entes federativos, da continuidade dos investimentos previstos e da implementação das medidas anunciadas ao longo dos próximos anos.
O que acontece agora
A expectativa do Ministério da Justiça é que os primeiros Escritórios Nacionais Antifacção iniciem suas atividades ainda em 2026.
Após essa etapa inicial, o governo pretende expandir o modelo para outras regiões estratégicas do país, conforme cronograma de implementação do programa Brasil Contra o Crime Organizado.
Conclusão
A criação dos primeiros Escritórios Nacionais Antifacção representa uma nova etapa da política federal de enfrentamento ao crime organizado. A estratégia combina integração institucional, inteligência, investigação financeira e cooperação entre diferentes níveis de governo, buscando fortalecer a capacidade do Estado no combate às organizações criminosas dentro dos limites estabelecidos pela legislação e pelo Estado Democrático de Direito.








