Uma carreira jurídica não se constrói apenas com conhecimento das leis, domínio da jurisprudência e capacidade de argumentação. Em um mercado cada vez mais competitivo e transformado pela tecnologia, o advogado também precisa compreender gestão, posicionamento, relacionamento, inovação e empreendedorismo.
Foi a partir dessa realidade que o professor e advogado Nidal Ahmad conduziu uma das palestras da 24ª Convenção Anual da Associação Brasileira de Advogados (ABA), realizada no Windsor Barra Hotel, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Com o provocativo tema “Advogado Empreendedor: a virada que ninguém te ensinou na faculdade”, Nidal levou aos convencionais uma reflexão que ultrapassa os limites tradicionais da formação jurídica: preparar-se tecnicamente é indispensável, mas compreender a advocacia também como atividade profissional que precisa de planejamento e estratégia tornou-se uma necessidade.
A abordagem foi muito bem recebida pelos participantes da Convenção, especialmente por dialogar com desafios encontrados diariamente por advogados em diferentes momentos da carreira.
O que acontece depois do diploma?

Durante décadas, as faculdades de Direito concentraram grande parte da formação de seus alunos no conhecimento jurídico.
É uma formação essencial.
Mas existe uma etapa para a qual muitos profissionais descobrem, somente depois de formados, que não foram suficientemente preparados: como construir a própria carreira.
Como conquistar espaço profissional? Como administrar um escritório? Como construir autoridade? Como estabelecer relacionamentos? Como comunicar adequadamente o próprio trabalho? Como identificar oportunidades sem abandonar os limites éticos da profissão? Como utilizar a tecnologia para ampliar produtividade e qualidade?
Essas perguntas fazem parte da vida real da advocacia.
E estão no centro de uma transformação que vem ocorrendo no mercado jurídico brasileiro.
O advogado contemporâneo continua precisando conhecer profundamente o Direito. Mas isso, isoladamente, já não resolve todos os desafios de uma carreira.
Empreender não significa abandonar a essência da advocacia
Um dos aspectos relevantes da discussão proposta por Nidal Ahmad está justamente na compreensão do significado do empreendedorismo aplicado à atividade jurídica.
Empreender na advocacia não significa transformar a profissão em simples atividade comercial.
Significa desenvolver capacidade de planejamento.
Compreender o mercado.
Organizar processos.
Administrar recursos.
Utilizar adequadamente a tecnologia.
Construir relacionamentos profissionais.
Identificar necessidades.
Desenvolver soluções.
E, sobretudo, transformar conhecimento jurídico em valor para quem necessita dos serviços do advogado.
Essa mudança de mentalidade pode representar uma diferença importante entre possuir apenas excelente formação técnica e conseguir construir uma carreira profissional sustentável.
Uma trajetória ligada à formação de profissionais do Direito

A experiência profissional de Nidal Ahmad ajuda a explicar a receptividade de sua mensagem.
Ele é fundador e professor de Direito Penal do CEISC, professor da UNISC, advogado, palestrante e escritor, além de ter atuado como assessor jurídico do Ministério Público do Rio Grande do Sul. Sua trajetória está fortemente relacionada à formação e preparação de estudantes e profissionais do Direito.
A reflexão apresentada na Convenção também possui relação direta com sua produção mais recente.
Em julho deste ano, Nidal lançou o livro “Advogado Empreendedor — Do Diploma ao Negócio: O Método para Viver da Advocacia na Era da Inteligência Artificial”. Segundo a apresentação da obra, o livro nasceu também da experiência do próprio autor ao perceber a necessidade de conciliar sua atuação como professor com uma visão empreendedora capaz de ampliar o alcance de seu trabalho.
A participação de Nidal na 24ª Convenção também foi divulgada previamente em sua agenda oficial, com indicação do encontro da ABA no Rio de Janeiro.
A advocacia diante de uma nova realidade
A discussão ganha importância em um momento de mudanças profundas.
Inteligência artificial, automação, redes sociais, novos modelos de escritórios, especialização crescente e mudanças no comportamento dos clientes estão modificando a forma de prestar serviços jurídicos.
Nesse cenário, o conhecimento técnico permanece como fundamento da boa advocacia.
Mas novas competências passaram a ocupar espaço importante.
Saber comunicar.
Saber relacionar-se.
Saber administrar.
Saber liderar.
Saber utilizar novas tecnologias.
E saber transformar uma trajetória profissional em um projeto de longo prazo.
São habilidades que, muitas vezes, não aparecem nas disciplinas tradicionais dos cursos jurídicos, mas que podem determinar os caminhos profissionais depois da graduação.
Uma mensagem alinhada à missão da ABA
A escolha do tema também guarda sintonia com um dos principais propósitos da Associação Brasileira de Advogados: promover o crescimento e o reconhecimento profissional de seus associados.
Ao reunir lideranças e profissionais de diferentes regiões do Brasil e do exterior, a 24ª Convenção procura justamente oferecer aquilo que dificilmente se obtém apenas por meio do estudo individual: troca de experiências, capacitação, relacionamento, networking e construção de oportunidades.
Para o presidente nacional da ABA, Esdras Dantas, a palestra de Nidal Ahmad contribuiu para provocar nos participantes uma reflexão necessária sobre o futuro profissional.
“A faculdade ensina o Direito, e isso é indispensável. Mas a vida profissional apresenta ao advogado desafios que vão muito além dos códigos e dos processos. A palestra do professor Nidal mostrou, de maneira clara e motivadora, que competência jurídica precisa caminhar ao lado de planejamento, relacionamento, inovação e visão de futuro. Foi uma contribuição extraordinária para os nossos convencionais.”
A avaliação traduz uma preocupação que vem ganhando espaço dentro da própria advocacia: formar profissionais tecnicamente preparados, mas também capazes de construir trajetórias sustentáveis e encontrar oportunidades em um mercado em permanente transformação.
Conhecimento que precisa produzir transformação
Uma boa palestra pode transmitir informações.
Uma excelente palestra pode provocar uma mudança de perspectiva.
Foi justamente essa reflexão que marcou a participação de Nidal Ahmad na 24ª Convenção Anual da ABA.
Ao colocar o advogado empreendedor no centro do debate, o palestrante apresentou aos participantes uma questão que continuará presente muito depois do encerramento da Convenção:
depois de aprender o Direito, o advogado está preparado para construir a própria carreira?
Talvez essa seja, de fato, uma das grandes viradas que poucas faculdades ensinaram.
E uma das lições que a nova advocacia já não pode mais ignorar.








