A advocacia brasileira atravessou fronteiras há muito tempo. Advogados brasileiros atuam no exterior, empresas mantêm negócios em diferentes países, famílias possuem interesses jurídicos em mais de uma jurisdição e clientes apresentam problemas que já não podem ser compreendidos exclusivamente dentro dos limites territoriais de um único país.
É nesse cenário que a Associação Brasileira de Advogados (ABA) realizará, nos dias 19 e 20 de outubro de 2026, em Lisboa, Portugal, na Universidade de Lisboa, o seu V Congresso Internacional.
Mais do que reunir profissionais para dois dias de palestras e debates, o encontro pretende criar um ambiente de aproximação entre pessoas, conhecimentos, experiências e oportunidades.
O Congresso nasce de uma convicção: a advocacia brasileira tem qualidade para dialogar em elevado nível com a advocacia e com o mundo jurídico de outros países.
E tem também muito a aprender com eles.
Conhecimento que ultrapassa fronteiras

Participar de um congresso internacional significa entrar em contato com outras experiências profissionais, diferentes culturas jurídicas e novas formas de compreender problemas que, muitas vezes, também estão presentes no cotidiano da advocacia brasileira.
O advogado contemporâneo não pode ignorar o movimento de internacionalização da sociedade.
Pessoas mudam de país. Famílias passam a ter integrantes vivendo em diferentes continentes. Patrimônios são constituídos no exterior. Empresas brasileiras internacionalizam seus negócios. Estrangeiros investem no Brasil. Brasileiros empreendem em Portugal e em outros países europeus.
Com isso, questões relacionadas a contratos, empresas, tributação, imigração, família, sucessões, patrimônio, investimentos, relações de trabalho e tantas outras áreas do Direito começam a atravessar fronteiras.
Nem todo advogado precisará tornar-se especialista em Direito Internacional.
Mas será cada vez mais importante saber com quem conversar quando o problema do cliente ultrapassar sua área de conhecimento ou sua jurisdição.
É justamente aí que conhecimento e relacionamento profissional se encontram.
Algumas oportunidades começam com uma conversa
Há conhecimentos que adquirimos nos livros, nas universidades e nas palestras.
Existem outros que surgem de uma conversa durante o intervalo de um congresso.
Quem trabalha há muitos anos na advocacia sabe que relações profissionais de confiança não são construídas apenas pela troca de cartões ou pela inclusão de novos contatos no telefone.
Elas começam pelo encontro.
Depois vêm a conversa, a identificação de interesses comuns, a percepção da competência do outro e, finalmente, a confiança.
Um advogado brasileiro pode conhecer em Lisboa um profissional que atua em Portugal e, meses ou anos depois, precisar dele para atender uma necessidade de seu cliente.
O inverso também pode acontecer.
Um profissional estabelecido na Europa pode necessitar de um colega confiável no Brasil.
É assim que surgem parcerias profissionais verdadeiras: não da utilização das pessoas como instrumentos, mas da construção de relações baseadas em competência, reciprocidade e confiança.
Por isso, o networking pretendido pelo V Congresso Internacional da ABA não deve ser entendido como simples atividade social.
É parte do desenvolvimento profissional.
Mostrar a qualidade da advocacia brasileira

Realizar um congresso internacional também significa assumir uma responsabilidade.
Quando profissionais brasileiros participam de encontros jurídicos fora do país, eles ajudam a construir a percepção que outros profissionais terão sobre a nossa advocacia.
O Brasil possui uma advocacia numerosa, plural e presente nas mais diferentes áreas da vida econômica e social. Possui profissionais altamente especializados, professores, pesquisadores, autores e advogados com experiências que merecem ser compartilhadas internacionalmente.
Mostrar essa qualidade não significa proclamar superioridade.
Significa apresentar nossas experiências, nossas ideias e nossas competências com segurança e, ao mesmo tempo, com humildade suficiente para ouvir.
O verdadeiro intercâmbio pressupõe duas atitudes: ter alguma coisa para ensinar e reconhecer que sempre existe alguma coisa para aprender.
É essa advocacia que a ABA pretende apresentar em Lisboa: preparada para falar, mas igualmente preparada para ouvir.
Lisboa como lugar de encontro

Portugal ocupa posição singular nesse movimento de aproximação.
A língua, os vínculos históricos e culturais, a crescente circulação de brasileiros e as relações profissionais e econômicas entre os dois países criaram um ambiente especialmente favorável ao intercâmbio jurídico.
Lisboa tornou-se também um importante ponto de encontro entre brasileiros que vivem na Europa e profissionais que mantêm relações constantes com o Brasil.
A realização do Congresso na Universidade de Lisboa acrescenta ao encontro uma dimensão acadêmica especialmente significativa.
Universidades são, por natureza, espaços de circulação de ideias, confronto respeitoso de pensamentos e produção de conhecimento.
Levar para esse ambiente advogados com diferentes trajetórias e experiências reforça o propósito de fazer do Congresso não apenas um evento institucional, mas um espaço de aprendizagem.
“Não vamos a Lisboa apenas para falar sobre Direito”

Para o presidente da Associação Brasileira de Advogados, Esdras Dantas de Souza, o maior resultado de um congresso como esse talvez não possa ser medido apenas pelo número de palestras realizadas ou de participantes presentes.
Ele estará, sobretudo, nas relações que permanecerem depois que o encontro terminar.
“Não vamos a Lisboa apenas para falar sobre Direito. Vamos para construir pontes. Queremos mostrar a qualidade da advocacia brasileira, mas também queremos ouvir, aprender e conhecer profissionais de outras realidades. Se, ao final do Congresso, uma advogada ou um advogado voltar para casa com novos conhecimentos, novas amizades profissionais e pessoas de confiança a quem possa recorrer no Brasil, em Portugal ou em outros países, teremos cumprido uma parte importante da nossa missão.”
A reflexão traduz uma característica que a ABA procura imprimir aos seus encontros: aproximar pessoas antes mesmo de aproximar interesses.
Porque boas parcerias geralmente são consequência de boas relações.
Internacionalizar não significa abandonar as raízes
A internacionalização da advocacia não exige que o profissional deixe de atuar localmente.
Um advogado pode exercer toda a sua atividade profissional em sua cidade e, ainda assim, integrar uma rede internacional de relacionamentos.
A diferença estará em sua capacidade de identificar problemas que exigem conhecimento especializado e saber onde encontrar profissionais confiáveis para solucioná-los.
Essa rede amplia horizontes.
Um advogado não precisa conhecer todas as respostas.
Mas pode construir relações com pessoas que conheçam respostas que ele ainda não possui.
Essa talvez seja uma das formas mais inteligentes de compreender o networking profissional.
Uma associação também deve aproximar pessoas
A ABA nasceu com uma proposta de crescimento coletivo.
Em uma profissão que pode ser marcada pela competição e pelo isolamento, o associativismo oferece a possibilidade de criar ambientes de cooperação.
Cursos, congressos e palestras são importantes.
Mas uma associação profissional precisa ir além.
Precisa permitir que pessoas se conheçam, que experiências sejam compartilhadas, que profissionais encontrem oportunidades para mostrar seu trabalho e que novas lideranças possam surgir.
É nesse sentido que o V Congresso Internacional se insere na proposta institucional da entidade.
A ABA pretende criar em Lisboa um espaço em que seus membros possam aprender, compartilhar, servir, pertencer e crescer juntos.
O que ficará depois de Lisboa?
Todo congresso termina.
As luzes dos auditórios se apagam. As palestras terminam. Os participantes voltam para suas cidades e para seus escritórios.
A pergunta mais importante talvez seja outra:
O que permanece?
Pode permanecer uma ideia ouvida durante uma palestra.
Pode permanecer uma reflexão que modificará determinada maneira de exercer a profissão.
Pode permanecer o contato de um colega.
Pode nascer uma parceria entre escritórios.
Pode surgir uma amizade.
Pode aparecer uma oportunidade profissional que ninguém poderia prever naquele momento.
E pode permanecer algo ainda maior: a percepção de que a advocacia não precisa ser uma caminhada solitária.
Nos dias 19 e 20 de outubro de 2026, em Lisboa, profissionais brasileiros terão mais uma oportunidade de apresentar ao exterior a qualidade da nossa advocacia.
Mas também terão a oportunidade de voltar melhores do que chegaram.
Porque internacionalizar a advocacia não significa apenas atravessar fronteiras geográficas.
Significa ampliar conhecimentos, aproximar pessoas e construir pontes capazes de permanecer quando o Congresso já tiver terminado.
Esdras Dantas de Souza
Presidente da Associação Brasileira de Advogados (ABA)
Advogado e professor de Direito
Ex-Presidente da OAB/DF e ex-Diretor do Conselho Federal da OAB








